Professor Rosalve Marcelino explica sobre El Niño no Nordeste: “O que é seco, fica mais seco, o que é chuvoso, fica mais chuvoso e o que é frio, fica mais frio”
O professor titular de Geografia da Uesb destacou os efeitos do fenômeno em Vitória da Conquista e no restante do mundo
Foto: Ane Xavier
Nesta terça-feira (26), o UP Notícias recebeu o professor mestre em Desenvolvimento e Meio Ambiente, doutor em Engenharia Agrícola e professor titular de Geografia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), Rosalve Marcelino. Em entrevista, o professor explicou sobre o fenômeno do El Niño e os seus efeitos no clima global e na Região Nordeste do Brasil.
O El Niño é um fenômeno caracterizado pelo aquecimento acima de 0,5ºC das águas do Oceano Pacífico. O aquecimento provoca extremos climáticos e, segundo projeções do Centro Europeu de Previsão Meteorológica de Médio Prazo, o fenômeno neste ano pode ser descrito como “Super El Niño”, por conta do aquecimento das águas que pode ultrapassar 2ºC. O Super El Niño tem previsão de ondas de calor para a América do Sul, Estados Unidos, Europa e Índia.
“Os efeitos aqui no Nordeste: o que é seco, fica mais seco. E o que é chuvoso, fica mais chuvoso, e o que é frio, fica mais frio. [...] De todos os El Niños que existem, a gente na climatologia, a gente conseguiu classificar em, tipo assim, classe 1, 2 e 3. É fraco, médio e forte. Esse está sendo considerado forte. Agora, esse forte não é exatamente um forte com F maiúsculo, porque aqui em Conquista, por exemplo, a gente sempre teve, os registros de todas as temperaturas, em todos os aninhos que aconteceram, desde quando a gente começou os registros aqui na cidade, que é 1934 até agora. Não tá fora do padrão”, explicou o professor.
Rosalve acrescentou que o fenômeno é mais perceptível em lugares mais “frágeis”, com má distribuição de água, população pequena e um poder público que não atende de forma eficaz. Segundo o professor, locais que possuem maior estrutura nos pontos de vista ambiental, político e populacional têm menos efeitos negativos do El Niño. “Os lugares que têm muita dependência, por exemplo, da atividade agrícola, aí, esses sim vão sentir mais efeito. Então, basicamente, a gente não está classificado nessa extrema dependência", pontuou.
“Como tipo assim, ainda faltam alguns meses para o El Niño chegar em toda plenitude, então dá tempo sim de criar esse escudo, no sentido de proteger a população”, destacou Rosalve.
Confira a entrevista completa com Rosalve Marcelino: